08.02.10

Já disfarço o meu desejo em lembranças, nada mais.

A sombra de alguma ausência penetrou

na minha vida, deixou rastros, rastros, rastros...

e nunca mais me deixou.

ficou presa no meu corpo, tomou conta da minha alma.

fez-me pedra, vento, lago; e tanto

mexeu comigo que um dia me senti leve, feita de

sombra tambem.

levava a tarde no rosto,

o silencio no coração.

imagens muitas da vida brincavam na minha frente.

paisagens semi-escondidas no tempo se juntavam,

constituiam uma argamessa de sonho que aos poucos desfazia-se

num grito de solidão.

a sombra me vendo sombra,

de igual naturaza e cor,

a sombra se fez autonoma, saiu de dentro de mim,

deu-me os pulsos pela rua,

e andamos por muitos dias, casal de sombras felizes,

alheio aos olhos das pessoas, que se riam de nos dois,

( ou só de mim)

porque a sombra que comigo caminhava não se dava

a conhecer.

publicado por catherynne rocha às 18:34

07.01.10

Desculpa o tanto que te fiz mal

e esquece tudo o que te fiz de bem.

Desculpa o meu amor tão natural

e que por ser assim foi mais além.

 

E te deu essa forma de horizonte

que sempre se abre nas laminas de Abril,

sempre tentando aproveitar o tom

das nuvens para o seu perfil.

 

E num giro de luz (lua e farol)

anoiteceu teu corpo sem nenhum sinal

que revelasse a tua imagem.

 

E da raiz mais limpa da manha

foi colhendo a essência até a ultima

gota de orvalho, neste afã de te dar sempre

a gota mais azul.

 

E amou teu nome de silencio e mel

e amou teu canto de distancia e fim.

Esquece agora quem e foi fiel,

Desculpa o tanto que te dei de mim.

publicado por catherynne rocha às 16:20

19.12.09

O sono que desce sobre mim,

o sono mental que desce fisicamente

sobre mim,

o sono universal que desce individualmente sobre mim...

Esse sono.... parecerá aos outros o sono de dormir,

o sono da vontade de dormir.

Mas é mais; mais de dentro, mais de cima:

È o sono da soma de todas as desilusoes,

é o sono da sintese da todas as desesperanças,

é o sono de haver um mundo comigo lá dentro, sem que

eu houvesse contribuido em nada para isso.

 

O sono que desce sobre mim, é contudo, como todos os sonos...

-O cansaço tem ao menos brandura;

-O abatimento tem ao menos sossego;

-A rendição é ao menos o fim do esforço;

-O fim, é ao menos, o já não haver de esperar.

publicado por catherynne rocha às 16:13

18.12.09

Se a raiva e a dor que moram na alma,

e destrói cada ilusão que nasce, e se tudo o que

se passa no coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espirito que chora,

ver atraves da face, quanta gente que nos cause inveja,

nos cause piedade!

Quanta gente que ri, talves guarde consigo uma dor atroz, invisivel.

Quanta gente que ri.....

talves existe, cuja ventura consiste em parecer aos outros venturosa!

publicado por catherynne rocha às 18:50

Se um dia voce for embora,

vá lentamente, como a noite que

amanhece sem que a gente saiba

exatamente como aconteceu...

publicado por catherynne rocha às 18:43

Foi ontem a noite.

você me beijou e partiu...

Eu sabia que você ia voltar, mas não podia

conformar-me em me separar de você, mesmo

por uma noite, algumas horas...

Hoje, pela manha, a saudade acordou antes de mim.

E ficou esperando...

Pelo menos até a minha chegada a escola, o sol não apareceu,

e fez bem!

O sol que eu queria ver era o sol dos teus olhos!

publicado por catherynne rocha às 18:22

Um silencio, um olhar, uma palavra:

nasceste assim na minha vida.

Já te visionara no meu sonho,

imagem de segredo, esparsa ao vento

da noite rubra, delicada, intacta.

 

Existias em mim... o teu olhar, o teu sorriso....

O calor que me oferece teu abraço...

tuas palavras que soam ao meu ouvido como uma

brisa fresca em tarde de sol...

 

Amo-te um pouco provincianamente. Ou romanticamente.

Ou como queiras....è assim.

Qualquer que seja o desejo ou ansiedade que

me aperte, basta-me ouvir-te a voz e sentir teu coração bater

perto do meu que a alegria vem.

E como sempre, por tua causa. Amo-te como quem, só por te amar,

teria a sorte de nascer cantando.

publicado por catherynne rocha às 18:06

07.12.09

 surgiu do nada.

e que nada mais significante!

 você veio para alguém que de tí muito

precisava.

Você é alguém de uma integridade

tamanha, indeterminada.

Se eu fosse dizer o que me trouxe,

jamais poderia qualificá-lo.

Você me mostrou que temos de viver todos

os nossos momentos, sejam eles tristes ou alegres,

e a ver que não adianta se omitir e muito menos

fugir.

A fuga não leva a nada, ou melhor,

leva a insegurança dos sentimentos e

você me ensinou o caminho da

evasão deles.

Você veio para me preparar, e conseguiu.

Preparou-me  de tal maneira, fazendo

com que eu ultrapasse qualquer barreira.

publicado por catherynne rocha às 21:51

21.10.09

não sei por que me sinto assim.

falta algo.sinto-me angustiada, triste.

As lágrimas vêm, mas não posso: não estou

sozinha e não há como ficar.

É como se fosse uma saudade;

impossivel encontrar-me comigo mesma

neste momento.

sem rumo...

sinto-me carente de afeto, copreenção. precizo que

alguém me ouça,  mais tenho horror a dar

a conhecer minhas angústias.

Certamente me diriam que eu estou sendo infantil,

ou que tenho muita auto piedade,

ou coisa do gênero.

se eu própia não me entendo,

quem poderia faze-lo?

publicado por catherynne rocha às 20:52

Depois de morta, o que?

queimada, não!

E também não fechada num caixão... sempre sofri de claustrofobia.

Quero, se possível, secar ao sol e a chuva

sem ser enterrada. Não quero regressar a terra maternal

que não me atrai como memória de útero.

Posso pedir, por exemplo que me deitem ao mar: não deitaram...

será que me enterravam numa praia na areia,

onde as águas viessem? se tem de me enterrar, que seja assim.

Mas nem vestida, nem penteada, nem lavada. Nua.

Que me penteie o mar molhando a areia,

e eu de mim escorra

as águas que me lavem.

Nas grandes marés vivas ondas recurvadas virão

estrondar sobre mim, rapando em espuma rechitante a areia que me cobre.

Nada ouvirei, nada sentirei.

Emerge um pé daqui, além um braço, e mais acima,

uma caveira rindo.

Se o mar não me levar, enterrem-me

depois como quiserem, descarnada e limpa.

Terei assim ao menos um tempo, ao sol e a chuva por minha conta,

como quem vai deitar-se numa praia,

e nu, olhando o céu,

sonha de sí e de outros corpos nus na areia ardendo;

Que o som das águas cobre com amor

que molha

num refrescar da pele

acariciada ao vento.

publicado por catherynne rocha às 19:57

Neste blog contém meus pensamentos e poesias. Comentem se quiserem. atenciosamente, Catherynne Rocha.
Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


arquivos
2010:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2009:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO