Já disfarço o meu desejo em lembranças, nada mais.
A sombra de alguma ausência penetrou
na minha vida, deixou rastros, rastros, rastros...
e nunca mais me deixou.
ficou presa no meu corpo, tomou conta da minha alma.
fez-me pedra, vento, lago; e tanto
mexeu comigo que um dia me senti leve, feita de
sombra tambem.
levava a tarde no rosto,
o silencio no coração.
imagens muitas da vida brincavam na minha frente.
paisagens semi-escondidas no tempo se juntavam,
constituiam uma argamessa de sonho que aos poucos desfazia-se
num grito de solidão.
a sombra me vendo sombra,
de igual naturaza e cor,
a sombra se fez autonoma, saiu de dentro de mim,
deu-me os pulsos pela rua,
e andamos por muitos dias, casal de sombras felizes,
alheio aos olhos das pessoas, que se riam de nos dois,
( ou só de mim)
porque a sombra que comigo caminhava não se dava
a conhecer.